domingo, 18 de novembro de 2012

Oxigenando espaços...

 
 


Entrei no compartimento da Linda, estava  meio escuro, as partículas minúsculas de poeira dançando sobre um fio de luz. Olhei em volta a procura de algum sinal da moradora reclusa daquela minha janela  . Estendi a mão e apertei no "Enter". Pura fototaxia!  Lá estava ela com seu sorriso suave e bondoso a espera de qualquer oportunidade para participar da cena. A luz entrou. Abri as janelas e deixei que a srta. O'mahley caminhasse um pouco sobre o teclado a fim de desenferrujar as letras e começar a articular  e verbetar . O tom musical de seus passos sobre os botões começou a tecer ficção, acionando um sei lá  do que há de permanente nas coisas que mudam .......
Respirei aliviada, por um instante cheguei a imaginar que não estaria mais ali. Asfixiaria sem o verbo, sem  flexão, sem abstração .
Deixo na tela um pouco da sua locução estereotipada, impressa em seu diário, que é mais ou menos assim :
" este é um trecho do meu roteiro,
 nunca está inteiro
porque é só passageiro, um  fragmento
 nada lisongeiro,
um dispositivo,
uma  mistura que oscila na
 substância do tempo
 que eu vivo
com as ênfases que eu acolho..."
 
Bj oxigenado
de Lind@
 
 
 

sábado, 17 de novembro de 2012

Na contramão

Eu caminhava dentro de um tunel de estacionamento, daqueles em caracol ( lugares que abomino e ninguém  me pergunte porque) em sentido contrário ao que aparentemente seria uma saída, mas não havia uma. Eu andava a pé e na contramão a procura do carro , que obviamente é apenas uma alegoria. Andava entre os faróis dos carros irritados . Subia exausta aquela rampa, feita para muito torque e carregava comigo a certeza de que não chegaria a lugar algum....Embora houvesse um elevador eu não sei porque optei por subir exausta aquela escalada.
É impressionante como, quando temos um problema aparentemente insolúvel, o subconsciente envia uma metáfora, ou nem tanto, daquela velha e conhecida sensação de impotência.
Acho que o jeito é tentar entender a história do ponto de vista dos carros, dos faróis e do túnel, que se deparam com ítem na contramão que quer fazer sentido!!!!

bj analítico
da lind@

domingo, 25 de dezembro de 2011

Perdi a sutileza...

Experimento neste domingo o sabor do Natal e fico relembrando inevitavelmente as dezenas de vezes em que já vivi esta data comemorativa. Os cenários e personagens vão se alterando a cada ano e tudo vai sendo desmistificado pelo tempo e pelas realidades que se impõe. Vem a pergunta - o que é mesmo o Natal?
Uma desculpa para devorar aquela torta de bombons, tomar mais uma taça e ou ligar para  aquelas pessoas que já foram coadjuvantes  premiadas em nossos ensaios ? Talvez isto indique que não encontro mais o espírito do tal de Natal ou pelo menos daquele que aprendi há muito tempo .
Se eu fosse católica ou adepta a  qualquer outra forma de credo diria que é uma época de reflexão sobre a grande metáfora bíblica, mas como sou apenas eu, uma habitante desta dimensão indefinida do planeta existência, tenho apenas a sensação de transitar pela tangente das perguntas e em silêncio. O que é que eu estou fazendo aqui mesmo?
Quem sabe não seja um caso de overdose. Lembro de tempos em que esperei ansiosa pelo cheiro e o gosto daquela noite ao estilo "merry christmas", com direito a pinheiro estilo americano, luzes piscando e até flocos de neve postiços . Os enfeites guardados com carinho eram novamente usados para ornamentar a casa.Tudo orquestrado para o grande momento. Havia uma atmosfera , uma expectativa de que tudo mudaria e se iluminaria naquela noite.
Na era do consumo contamos com zilhões de batulacos natalinos descartáveis (como tudo mais) que vão de lojas de 2,39 até bazares especializados em peças chics exclusivas e assinadas.Há também direito à músicas em versões jingle bells funk ,sertanejo, rappers pitorescos  e tudo que um circo necessita para tornar-se trash.
Enfim , chegamos ao século XXI, nos robotizamos, descobrimos que sentimentos não passam de neurotransmissores com defeito e que Papai Noel é um grande marketeiro com MBA em auto-ajuda aplicada ao consumo.
Só posso deduzir que perdi a sutileza, não acho meu sorriso de plástico e isto é muito bom .
Nada como respirar fundo e notar que o mundo mudou e vai continuar mudando. As dezenas de natais diferentes ainda estão por vir.  Novos cenários e concepções de mundo vão se construir e eu (nós) seremos protagonistas, espectadores, expectadores , testemunhas , como tem que ser.
Concluo que vale mesmo a intenção e o desejo sincero que brota nas pessoas de que o mundo se torne melhor, por eons que seja, nasce um pensamento generoso e contemplativo de compaixão.
Feliz Natal

Beijo lindddddddddddddo
da Linda

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Nada de novo

Entrando agora na primeira linha do discurso, aqui na minha confortável casa virtual abandonada é estranho  olhar as letras claudicantes se derramando no teclado. Alguns textos empoeirados e janelas fechadas . Algum eu esquecido e outro adormecido em um canto qualquer.
Vou soçobrando pelo amontoado de letras em busca da transpiração. Hoje "ouvi" um escritor dizendo que não se  escreve com  inspiração , mas sim com transpiração. É treino mesmo e, claro, no meu caso saudade.
Saudade de ir encarreirando um símbolo aqui e um sinal ali até corporificar alguma coisa , parir um pensamento sem compromisso. Encher linguiça, agora sem trema. Sem qualquer ficção que simule realidade.
Assim, jogar conversa fora com todo mundo, ou com ninguém. Falar das minhas idiossincrasias, das minhas manias ou da falta de graça que venho percebendo nas coisas ultimamente.
São veredas desérticas  que atravessamos uma tarde ou outra. Pode ser um inverno   ou um instante. O certo é que fico buscando uma forma de dar um pouco de lógica a todas estas coisas que possivelmente não possuam nenhuma (lógica) e muito menos careçam dela.  Só um  amontoado de episódios acidentais  denominado existência . Certo, alguns não tão acidentais, mas isto não tem muita importância. Vou mais é me alienar de mim. Qualquer arremedo de pensamento está ótimo, um link que faça recrudescer esta matéria tão  densa das palavras minhas, tão caladas que estão.

Saindo do limbo silencioso.

beijo alienado
da Linda

domingo, 29 de maio de 2011

Hoje me pareceu o primeiro dia com indícios de uma despedida do outono.Um tom de bege acinzentado e marcado pelas ruas desertas de um Domingo qualquer da minha vida. As patinhas geladas digitam estes registros funestos da chegada da hibernação. Aqui encaixotada em tarefas que elegi para este ano, fujo alguns segundos para esta  janela delirante de frente para o mundo. Visto a a pele de O'Mahley disfarçadamente  e sinto as pontas dos dedos aquecendo.
Meio entorpecida e com idéias congeladas confesso minha fastidiosa ausência de mim mesma.
beijo encaixotado
da
Lind@

sexta-feira, 11 de março de 2011

Lendo..

Ler é uma coisa fantástica. Não é à toa que o homem deu um salto em sua cadeia evolutiva quando aprendeu a articular e desenvolveu a escrita. O mais interessante é que é um universo tão vasto que seria impossível decodificá-lo por inteiro. Aquela máxima que diz que " cada cabeça é uma sentença" parece na medida para expressar que cada autor é um mundo, uma ótica ou um caminho.
Lendo a gente descobre  que os melhores escritores são os que não tem medo de conter seus personagens, de criar mirabolâncias ou misturar substâncias que jamais se combinam.
Os grandes autores  não tem medo de explorar pelo território do inusitado e impensável do desatino humano e acabam por construir pontes sólidas entre seus leitores  e suas espaçonaves  empoeiradas.
Não tenho credencial maior que minha mirrada lista de títulos lidos, alguns justificadamente esquecidos, mas descobri que algumas leituras são como dispersores de águas. Nos reviram pelo avesso e nos ensinam que é preciso aceitar  novos desafios  e sair do território vulgar do entretenimento. Claro , não sei qual prazer o(a) diverte?!
Eu sou uma deslumbrada.
Outro dia eu assistia a uma entrevista na TVE com uma jovem escritora, ou digamos , uma escritora com uma carreira ainda principiando e a entrevistadora perguntou "quando se descobre ser um escritor", a autora então respondeu que [para ela] foi quando foi reconhecida pelos leitores e críticos. Portanto, não basta apenas escrever livros para ser escritor, é preciso muito mais . É necessário estabelecer esta ponte que convida estranhos anônimos a seguí-lo [o escritor] pelo caminho incerto da aventura [como diz Cecília Meireles 'do sonho contra correnteza'].
Como qualquer mortal , um escritor também atravessa suas estações e desabrocha em dados momentos à luz de cada presente. Se tiverem sorte seus interlocutores ávidos e silenciosos estarão lá espreitando.
Também entendi que é preciso aprender a gostar de novos estilos e visitar os clássicos. Há sempre um mundo de descobertas em cada novo portal literário que atravessamos.
Temos relações intrigantes com nossos livros, seus autores e personagens.Alguns precisam estar na estante para que possamos tocá-los de vez em quando. Outros jamais abrimos ou guardamos para 'um dia'. Há ainda aqueles que acompanham nossa vida e guardam personagens que nos significam como jamais poderíamos imaginar. 
É através da ficção que assimilamos a existência de criaturas rasas, herméticas, obscuras , enigmáticas ou aquelas que só precisam de  uma fração de segundo para nos arrebatar em um mergulho inesquecível.
Na ficção existimos todos nós, de todas as nossas formas, jeitos e tempos . De verdade.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Temi não te encontrar mais dentro de mim. Tu, aquela palavra fácil e íntima que flui da alma. Aquele verbo impregnado de sentires que se lança pelas linhas como um Dionísio no desfiladeiro, na confiança de que, tal qual o deus, tua métrica  não me faltaria. Ali como o ar recende o corpo com vida, tua composição estaria presente e infinita como todos os tempos. Tu, o motivo que se derrama pelos dias.