segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O diário de uma psicopata consumista em processo de cura: dia 2

Hoje, dia 13 de Setembro é o segundo dia de jejum de gastos aniquiladores. Pela manhã já passei por uma pequena provinha. Ao pagar uma conta me deparei com uma canção chamada promoção. Casaquinhos em liquidação muito tentadores. Foi fácil. Declarei minha guerra contra o consumo e nem sequer olhei as "pechinchas".
O consumo de chocolate foi em nível preocupante, mas no primeiro momento deixei rolar. Pra combinar com meu projeto choveu o dia inteiro e só passei rapidamente no supermercado para pegar ítens essenciais.
Possivelmente logo sentirei uma considerável irritação, peculiar a qualquer abstinência,ainda que voluntária. Toda mudança de hábito leva a mente a criar novos caminhos com vistas a manter as mesmas práticas. Neurotransmissores! Bah
Mas voilá!!!!
beijo fortalecido
da Linda

domingo, 12 de setembro de 2010

O diário de uma consumista patológica em processo de cura: dia 1

Já confessei aqui que sou uma consumista patológica. Fato do qual não me orgulho e que vai de encontro a tudo que acredito. Tenho tentando superar este meu distúrbio de várias maneiras, mas não tenho obtido sucesso.
O consumo é fruto da minha ânsia por imediatismo. O fato de formar um ciclo vicioso torna complicado diagnosticá-lo. O Imediatismo não permite concluir projetos de longo prazo, segue-se a frustração e o desejo de obter prazer de curto prazo , coisa que as pessoas buscam de várias formas. É só uma válvula de escape bem genérica. Uns comem ( eu só não me entrego (totalmente) aos prazeres da gula porque tenho pânico da gordura), outros bebem, outros fumam , há os que jogam , outros se drogam e ainda há os que passam no divã.
A terapia , deste meu atual ponto de vista, reside na força de vontade e na convicção e consciência daquilo que desejamos de fato.
Bem, o fato é que no sábado foi a gota d'água. Ao sair com uma amiga para acompanhá-la nas compras acabei me afundando novamente em vários ítens e no rebote culpa profunda e preocupação ( sim porque o caso é sério). Voltei pra casa cheia de novas sacolinhas e gastei estratosfericamente mais do que podia e do que devia. O pior é que sempre é para adquirir coisas desnecessárias. É um claro processo de compensação. Por isso estou anotando aqui no diário de Linda O'Mahley, meu alter ego mais maduro e lúcido.
Resolvi adotar uma técnica . A neurociência( e os artifícios da mente) demonstra que é preciso disciplinar o cérebro para obter sucesso. Isto requer muita coragem e força de vontade. Quem tem compulsão sabe. A ciência diz que leva-se quarenta dias para mudar um hábito e este é o primeiro dia dos meus próximos quarenta nos quais pretendo não adquiriri NADA. NÃO CONSUMIR.
É , NADA, claro exceto gêneros de primeiríssima necessidade. Entenda-se pagar contas, comer e manter a saude . Então, medicamentos,alimentos ( não ítens cosméticos nutritivos) alguma manutenção de cabelo e unhas. Enfim gêneros de essencial interesse. Não inclui-se livros , CDs , DVDs e artigos domésticos. A exceção será para o presente de aniverário da minha afilhada claro.
Um compulsivo como eu se satisfaz comprando até mesmo escovas de dentes e artigos de cozinha(embora não cozinhe). Sim o caso é sério.
Desta forma, estes próximos quarenta posts da Linda O'Mahley começando pelo dia de hoje , serão a narrativa blogoterápica dos dias que virão.
Se vou obter sucesso ou não é ainda uma incógnita, mas me comprometo a relatar todas as sensações e vivências que experimentarei neste processo.
Hoje é Domingo, 12 de Setembro e vai ser bem fácil resistir a qualquer apelo pois não estarei exposta às maravilhas de ofertas do mundo do consumo.
Sobretudo ainda estou sob o efeito da satisfação e culpa das compras de ontem. O fato de escrever os posts( escrever me faz muito bem) vai me ajudar a compensar o desejo de consumo , avaliar e compreender melhor minhas angústias.
Portanto, hoje é o dia um da experiência de superação.
Consumidor ou consumista? Já se fez esta pergunta?
O consumidor, para quem não sabe , é aquele que exerce esta prática na medida das reais necessidades e com responsabilidade. Observa os produtos que consome, sua origem e a responsabilidade social e fiscal de quem oferta e produz. Consome o que é lícito, politicamente correto e comprometido. Difícil não?
Quase ninguém lê a bula ou verifica se , por exemplo, o fabricante do cosmético ou de qualquer produto químico faz experimentos com espécies vivas, se usa matéria-prima ecologicamente correta, se age dentro das práticas legais. Enfim, não é uma tarefa fácil chegar lá.s
Sendo assim, ale jacta est , aqui estou eu me lançando neste desafio por quarenta dias e quem sabe pra sempre. Já pensou....
Vou desbravar os artifícios da mente um a um . Dissecá-los sem anestesia.
beijo conscientizado da Linda

sábado, 14 de agosto de 2010

Coisas que só conto aqui...

Uma das minhas predileções é reger orquestras imaginárias( nem tanto). Alguns dias inesperados em que escuto um pouco mais, ouço as cordas magníficas que atravessam o tempo e se reproduzem inteiras em meu entorno. Simplesmente me entrego ao deleite de me misturar a elas.
Quando os alegros e adágios se alternam em ritmos alucinantes ressuscitam algo incomensurável. Chego ao frenesi. É a sensação mais quântica e mágica que conheço. Além de ser um ótimo exercício para os braços . Após uma horinha regendo os braços ficam tinindo.
O corpo flutua e as pálpebras se entregam e fecham as comportas para o mundo lá fora. São milhares de sensações e vozes através daquelas notas, cada uma querendo dizer algo. Acredito que não exista quem não ame desesperadamente as estações de Vivaldi. É uma das minhas prediletas e a mais conhecida das obras do italiano. (Em pensar que chegou a ser padre!)
O concerto para violinos nos seus movimentos lentos e rápidos me enleva de tal forma que não consigo traduzir. Fico lá regendo repetidas vezes meus preferidos, os alegros do outono e inverno, apesar de achar tudo maravilhoso. Cada nota é tão repleta que fica impossível ouvir uma só vez. É preciso entregar-se por inteiro e permitir que a alma me conduza por entre as notas sob minha baqueta.
Olhos voltados para dentro e palmas para o italiano de saúde frágil que viaja pelo tempo para me emprestar um momento de mágica felicidade.
Outra paixão que costumo reger é a nona sinfonia de Beethoven e não sei precisar há quanto tempo nos apaixonamos. É simplesmente uma hecatombe. Faz com que todo o resto do mundo perca totalmente a importância. Ficamos apenas nós , as cordas , oboés, flautas , trompetes, trompas, o coral de vozes , o silêncio do mundo e a composição do gênio. Puro êxtase provocado solenemente.Como se fosse a primeira vez, em 7 de maio de 1824. Aplaudido cinco vezes o homem que não podia ouvir sua magnífica obra.
Dá para entender onde o pianista João Carlos Martins encontrou forças para dar a volta por cima e vencer todas as adversidades. A música é terapêutica, didática , preventiva e aconchegante.
Vale também declamar Cecília Meireles em voz projetada para você mesmo.
Simples como sorver o ar para os pulmões e depois exalar. Apenas entregue-se! Exale-se!
Beijo
da Linda

Sobre ser feliz , ir a feira e ter um blog.

Eu adoro ir a feira, um prazer que raramente a preguiça me permite.Os supermercados me arrancaram este hábito tão salutar. Quando venço a inércia é absolutamente delicioso. Gosto de olhar as pessoas com o ar do despertar matutino. Alguns corridos da cama para apanhar o filé mignon das hortaliças, outros de natureza madrugadora (o que não é o meu caso) chegam cheios de disposição e planejamento. Hoje estava uma garoa fina, de frio, céu cinza e um vento gelado, mas ainda assim o efeito da baixa temperatura sobre alguns sabores é inédito. Comi o mamão da década, doce e lindo. Um sabor que vai viver para sempre em minha boca, nas impressões que ficarão registradas na memória.

Sentir o cheiro misturado dos sabores presentes, olhar os diferentes todos iguais. Perceber os que parecem iguais,mas ali estão tão diferentes, em outra frequência. Este sabor só pode ser superado por um mercado público. Adoro os mercados. Caminhar por eles é renovador e muito rico. Acho que é a simplicidade , aquela velha fórmula das pequenas coisas.

As laranjas de umbigo estavam espetaculares, como verdadeiras obras do capricho da laranjeira, tão redondas e cheirosas. Fiquei simplesmente feliz, vendo as pessoas se encontrando e trocando idéias sobre amenidades . Algumas conversas sobre a rotina de quem vive de produzir . Um contraste com minha vidinha urbanóide que acaba sendo limitada a colher pelos dias o que a rotina me impõe.

E o legal é que , tendo um blog, eu posso deixar aqui registrado este episódio tão simples mas de tanto valor.

Falando nesta história de ter um blog, é impressionante o que tenho visto por aí pelos blogs. Toda sorte de objetivos ganha visibilidade. É revolucionário.

Parece que as pessoas, além de terem seus domicílios no mundo material , identidades civis e credenciais sociais, agora também precisam de um portal virtual. Uma identidade digital , bem menos limitada, onde tudo parede ser permitido, todas as combinações se tornam possibilidades.

Outro dia mesmo eu estava lendo uma destas revistas que só vejo quando vou ao cabeleireiro. Um tipo de lixo que eu não compraria para ler, mas em consultório médico, dentário e salão de beleza, qualquer fuga é permitida.No meio do lixo encontrei uma matéria muito legal sobre a atriz Márcia Cabrita, que está enfrentando a quimioterapia e criou um blog para falar, com muito humor claro, sobre as situações hilárias causadas pela tragédia de viver um câncer. Desde dicas de arranjos com lenços até maquiagem, com leveza e humor de quem está aprendendo a lidar com os meandros da vida. Olha que bárbaro. Como as pessoas são interessantes. E a vida ali , me mostrando as sutilezas do aprendizado.

Poder partilhar idéias sem muito compromisso é renovador . Até idéias simplórias sobre a feira de sábado. Uma parte de mim que encontro nos outros e todas as partes dos outros que fazem parte de mim. Tão estranhos, tão íntimos.

Como disse o chapeleiro( em Alice nos país das maravilhas) não posso perder a minha muiteza, sob pena de esquecer as melhores coisas que a vida me guarda. Thanks!!


beijo muito

da linda

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cecília Meireles é tudo.

Noções

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.

Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...

Cecília Meireles

Vale reproduzir pelo tanto que diz sem dizer.....

beijo ceciliano
da Linda

Da-me tua mão..

Porque nunca foi dito o que baste.....


Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

Clarice Lispector

domingo, 25 de julho de 2010

Sempre bons tempos....

*
Sábado,24 de julho de 2010. Chove lá fora e aqui....Reunião de nossa combalida confraria de mulheres falantes de asneiras. Tem coisa mais legal do que jogar a conversa fora, sem compromisso com o politicamente correto? Rir das próprias piadas antes de contá-las e especular o óbvio.
Pois é , eu sou um ser de sorte e ainda por cima uma deslumbrada com as pequenas grandes coisas do trivial humano.
Uma tacinha de vinho, algumas bombinhas de atum e o esticadinho da Pâmela. Celulite cremosa para ser absorvida nas entrelinhas sob o calor da lareira e anatomicamente esquecida sobre o sofá.
Temas picantes segredados em gargalhadas, não há melhor terapia enquanto sustentamos nossas farsas particulares.
Cresce o elenco de pessoas desnecessárias pelas bandas daqui.
Apesar de combalida por sucessivos desencontros nossa confraria se mostrou intacta. As pautas totalmente a salvo de qualquer constrangimento ou clima. Saudades.
Apesar do frio glacial que tem feito neste inverno desolador, os momentos calientes e gastronômicos tem marcado presença.Telefonema inusitado. Visita surpresa de James O'kief. Legal à beça...na segunda edição deste ano.
Os caminhos vão se descruzando e as distâncias vão aumentando.Muito muda , mas o que importa fica...
*
Sexta, 23 de julho de 2010. Frio Polar. Melhores amigas. Encontro etílico gastronômico interestadual.Casacos e mantas.Luz é meia. The Coors na tela. Cardápio Entrecot , Salada Ceasar e Brochete. O Brochete( uma espécie de xixo apenas com filé) é um pouco sugestivo. Acho mesmo, apesar de não ser uma apreciadora da carne vermelha, que pode ser muito saboroso, mas o nome é deprimente, em especial em uma sexta fria. Vinho tinto, uma taça, duas. Coalho.
Linguiçinha cortada a faca. Debate sobre por que a linguicinha cortada a faca chama-se linguicinha cortada a faca. Muitos quilos depois.
Sobremesas no plural, Profiteroles, Brownies, Petit Gateau. Chás digestivos , sono.
Milagre: minha amiga geminiana não discutiu sobre a Carta de Vinhos e comeu sobremesa.
Bochechas vermelhas.Sono.
by lindao'mahley